Docentes da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) aprovaram paralisação das atividades no dia 17 de março e reforçaram a pauta de reposição salarial durante Assembleia Geral realizada pela Adunioeste. O encontro reuniu 52 professores e professoras e definiu encaminhamentos relacionados à campanha salarial, mobilizações estaduais e posicionamentos sobre temas internos da universidade.
Entre os principais pontos deliberados está a paralisação docente com participação no ato estadual em Curitiba, articulado no âmbito do Fórum das Entidades Sindicais. A assembleia também marcou uma nova reunião para o dia 20 de março, quando poderá ser discutido indicativo de greve caso não haja avanços nas negociações com o governo estadual.
Campanha salarial e perdas acumuladas
Segundo a entidade sindical, a defasagem salarial dos docentes das universidades estaduais pode chegar a 52% do salário básico até maio. A assembleia reafirmou como prioridades da campanha o pagamento da data-base, a recomposição das perdas salariais acumuladas e a adoção do Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério como referência para a carreira, medida que, segundo o sindicato, poderia gerar recomposição de cerca de 40%.
Outro ponto defendido é a regulamentação do acesso ao nível de professor titular dentro da carreira. A Adunioeste argumenta que, apesar de reajustes pontuais em adicionais de titulação, parte significativa da categoria, especialmente aposentados e docentes sem doutorado, não foi beneficiada.
A entidade também afirma que, mesmo diante de dados de superávit apresentados pelo governo estadual, não houve avanço efetivo nas negociações. Segundo o sindicato, tentativas de diálogo com órgãos como Casa Civil, SETI e outras instâncias foram adiadas ou consideradas infrutíferas.
Rejeição a mudanças na Resolução 034
A assembleia voltou a manifestar rejeição a qualquer alteração na Resolução 034/2000 do Conselho Universitário (COU), que trata de aspectos estruturais da carreira docente. O sindicato sustenta que a proposta pode trazer impactos negativos em áreas como formação docente, pós-graduação e condições de trabalho, especialmente para professores temporários.
Entre os encaminhamentos aprovados estão a reafirmação do posicionamento contrário à alteração, a defesa de maior participação da comunidade acadêmica no debate e a convocação de mobilização para acompanhar futuras deliberações do Conselho Universitário.
Próximos passos e mobilização
Além da paralisação do dia 17 de março, os docentes devem intensificar a mobilização estadual pela data-base. A assembleia também aprovou a inclusão na pauta de uma manifestação contrária a projeto de lei que pretende proibir universidades de utilizarem cotas raciais em ingressos e concursos públicos, com previsão de elaboração de nota de repúdio e articulação junto a outras instâncias acadêmicas.
Com a nova assembleia marcada para o dia 20 de março, a categoria deve reavaliar o cenário das negociações e definir se haverá avanço para uma paralisação mais ampla. A mobilização se insere no calendário de atos estaduais do funcionalismo público paranaense, que pressiona por recomposição salarial após anos de perdas acumuladas.