O atendimento prestado por hospitais universitários estaduais do Paraná voltou ao centro do debate público após a exibição, no último domingo (8), de uma reportagem no programa Fantástico, da Rede Globo, que contou a história da advogada Juliane Vieira. A jovem sofreu queimaduras em mais de 60% do corpo ao resgatar a mãe e o sobrinho durante um incêndio em seu apartamento e recebeu atendimento especializado em unidades vinculadas às universidades estaduais.
Segundo o Comando Sindical Docente (CSD), foi justamente nos hospitais universitários da Unioeste e da UEL que Juliane teve acesso a equipes médicas altamente qualificadas, estrutura técnica e acompanhamento intensivo, fatores considerados decisivos para sua recuperação. Para a entidade, o caso evidencia a importância do serviço público de saúde ligado às universidades para a população paranaense.
Em boletim divulgado nesta semana, o CSD afirma que o trabalho de docentes, profissionais da saúde e demais servidores sustenta diariamente serviços essenciais, mesmo diante de limitações orçamentárias e condições consideradas precárias. O informativo aponta que os hospitais universitários, além de atenderem casos complexos, também cumprem papel estratégico na formação de profissionais e na produção de conhecimento científico.
O sindicato, porém, destaca um contraste entre a dedicação desses trabalhadores e a política salarial adotada pelo governo estadual. De acordo com o boletim, a defasagem acumulada nos vencimentos já ultrapassa 50%, o que, na avaliação da entidade, corrói o poder de compra dos servidores e impacta diretamente as condições de trabalho nas instituições de ensino superior.
O texto também critica o que chama de avanço de formas precárias de contratação e a ausência de medidas efetivas de recomposição salarial. Para o CSD, a falta de valorização compromete não apenas os trabalhadores, mas a própria qualidade dos serviços oferecidos à população.
“A sociedade depende do serviço público e de seus profissionais”, sustenta o documento, ao argumentar que histórias como a de Juliane só têm desfechos positivos porque existem hospitais universitários estruturados, com equipes técnicas estáveis e qualificadas.
Ao final, o Comando Sindical Docente reforça a defesa de reposição salarial integral, realização de concursos públicos e o fim da terceirização, reivindicações que devem integrar a pauta das próximas mobilizações da categoria.
A entidade afirma que a valorização dos servidores das universidades estaduais é condição indispensável para manter o atendimento hospitalar, o ensino superior e a pesquisa científica em funcionamento no Paraná.