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Reuniões em Curitiba definem estratégia da campanha salarial dos docentes estaduais

Os encontros reuniram representantes sindicais de diferentes instituições e tiveram como foco a definição de pautas, avaliação do cenário legal e a organização da mobilização da categoria.
30 de Janeiro de 2026 às 11:21

A Adunioeste participou, nesta semana, de duas reuniões em Curitiba que marcaram o início do planejamento da campanha salarial de 2026 dos docentes das universidades estaduais do Paraná. Os encontros reuniram representantes sindicais de diferentes instituições e tiveram como foco a definição de pautas, avaliação do cenário legal e a organização da mobilização da categoria.

Na quarta-feira, ocorreu a reunião do Comando Sindical Docente (CSD), com a participação de seis seções sindicais. O encontro resultou na construção de consenso em torno da pauta geral de reivindicações, que inclui a defesa da data-base e a reposição das perdas salariais acumuladas, em articulação com o conjunto do funcionalismo público estadual. Também foi aprovada uma pauta específica dos docentes, com destaque para a defesa do piso nacional do magistério como base da carreira e para a regulamentação do cargo de professor titular no interior da carreira docente.

Outro ponto central do debate foi a implementação do chamado Meta 4, medida que, segundo os sindicatos, traz impactos diretos sobre direitos históricos da categoria. Entre as preocupações levantadas estão possíveis prejuízos às promoções e progressões, o aumento da interferência do governo estadual na gestão das universidades e a afronta à autonomia universitária. As entidades também alertaram para os efeitos da medida sobre o financiamento sindical, uma vez que o novo modelo dificulta o desconto em folha das contribuições, exigindo, ao menos nos próximos meses, a cobrança individual junto a filiadas e filiados.

Durante a reunião, também foi discutida a necessidade de o Governo do Paraná cumprir a legislação federal recentemente aprovada que descongela a contagem do tempo de serviço durante a pandemia para fins de progressões por quinquênio. De acordo com os representantes sindicais, embora esse período venha sendo contabilizado nas universidades, há casos em que, no momento da aposentadoria, o Paraná Previdência desconsidera esse tempo, gerando perdas financeiras aos docentes.

Na quinta-feira, a Adunioeste participou da reunião do Fórum de Entidades Sindicais, que contou com ampla representação de sindicatos do serviço público. O foco foi o planejamento conjunto da campanha salarial. Segundo os dados apresentados, a defasagem salarial acumulada pode chegar a 52% em maio. Desde o último reajuste, concedido em agosto de 2023, a inflação acumulada já ultrapassa 12%.

As entidades defendem que o governo reconheça oficialmente essa defasagem e, de forma emergencial, conceda ao menos a reposição inflacionária acumulada desde o último reajuste. O argumento é de que esse percentual estaria dentro da margem prudencial prevista na Lei de Responsabilidade Fiscal.

O calendário eleitoral também foi apontado como um fator decisivo para a estratégia de mobilização. Pela legislação, reajustes que ultrapassem a recomposição da inflação precisam ser concedidos até seis meses antes do pleito, o que fixa o início de abril como prazo limite para avanços concretos nas negociações.

Diante desse cenário, os sindicatos avaliam a possibilidade de paralisações e da construção de uma greve, mas já definiram uma primeira ação unificada: um ato público estadual marcado para o dia 17 de março, em Curitiba. A mobilização deve reunir docentes e servidores de diferentes categorias e marca o início oficial da campanha salarial unificada de 2026.