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Imposição da Meta 4 retira das universidades o controle da folha e ameaça financiamento sindical

Centralização da folha na SEAP é apontada como afronta à autonomia universitária e suspende o desconto em folha das contribuições sindicais, impondo entraves financeiros às entidades representativas
29 de Janeiro de 2026 às 18:00

A folha de pagamento das universidades estaduais do Paraná deixou de ser gerida pelas próprias instituições a partir de janeiro e passou para o controle da Secretaria de Administração e Previdência (SEAP). A mudança, associada à chamada Meta 4, é vista por entidades sindicais como uma afronta direta à autonomia universitária e um risco concreto ao funcionamento das universidades e à subsistência dos sindicatos.

Segundo as entidades, a centralização abre margem para interferências administrativas indevidas, como bloqueio de promoções e progressões funcionais, além de comprometer a gestão financeira interna das universidades. Apesar da gravidade do impacto institucional, não houve manifestação pública dos reitores das sete universidades estaduais nem da APIESP, que as representa.

Para os sindicatos docentes, o efeito mais imediato foi a suspensão do desconto em folha da contribuição sindical. A retomada do repasse passou a depender de um processo de qualificação junto à SEAP, considerado excessivamente burocrático, com exigência de documentos adicionais que não estavam previstos inicialmente. A Adunioeste informou que concluiu a qualificação exigida, mas o recolhimento automático só deve ser restabelecido a partir de março.

Até lá, a contribuição precisará ser paga individualmente pelos filiados, por meio de PIX ou transferência bancária. A entidade também relata que a SEAP se recusa a efetuar o desconto da contribuição de docentes temporários, sob o argumento de que não seriam servidores públicos. Para esse grupo, o sindicato orienta a manutenção da filiação por meio de PIX recorrente.

O cenário ocorre em um contexto de crescente pressão financeira sobre as entidades sindicais. No caso da Adunioeste, embora as contas estejam equilibradas e exista reserva para custear mobilizações e greves, a redução do número de docentes da Unioeste ao longo da última década impactou diretamente a arrecadação. O sindicato destaca ainda que a contribuição corresponde a apenas 1% do salário básico e que os reajustes salariais recentes ocorreram em parcelas que não alteram o valor do desconto.

Com inflação superior a 100% no período, a arrecadação atual, em termos reais, equivale a cerca da metade do que era há dez anos. Diante desse quadro, a entidade afirma que a manutenção do repasse por parte de todos os filiados é essencial para garantir o funcionamento do sindicato e a capacidade de mobilização da categoria.

As entidades avaliam que a imposição da Meta 4 extrapola uma medida administrativa e se insere em um movimento mais amplo de enfraquecimento da autonomia universitária e das organizações sindicais no serviço público estadual.