A Adunioeste — Seção Sindical dos Docentes da Unioeste — publicou um informativo em que manifesta preocupação com os impactos da proposta de alteração da Resolução 034/2000-COU, que redefine critérios do Índice de Atividade por Centro (IAC). Segundo o sindicato, a medida representa uma desvalorização das atividades docentes e tende a agravar a já crítica situação de sobrecarga de trabalho vivida pelos professores da universidade.
O texto aponta que, nos últimos dez anos, houve uma redução significativa do número de docentes e um aumento expressivo de estudantes, o que resultou em uma intensificação generalizada do trabalho. De acordo com dados da entidade, entre 2015 e 2025 o número total de estudantes cresceu 43%, passando de 10.662 para 15.219, enquanto o número de docentes caiu 6%, de 1.314 para 1.240.
A situação é ainda mais grave entre os professores efetivos, cujo quadro sofreu redução de 13,4% no mesmo período, caindo de 1.073 para 940. Na pós-graduação stricto sensu, o aumento foi de 66% no número de alunos de mestrado e de 233% no doutorado. A Adunioeste alerta que, sem novos concursos públicos e sob as restrições da Lei Geral das Universidades (LGU), a tendência é de perda contínua de docentes e impossibilidade de reposição dos quadros.
O informativo destaca que, ao alterar os parâmetros do IAC, a proposta da Reitoria afeta diretamente o cálculo da quantidade de docentes necessária para o ensino e reduz a carga horária disponível para afastamentos. Na prática, a mudança resultaria em maior exigência de atividades simultâneas e em uma sensação crescente de que “o tempo nunca é suficiente”.
Segundo a Adunioeste, a Reitoria utiliza como justificativa o cumprimento da Resolução 04/2024, que tornou obrigatória a realização de estágios de licenciatura ao longo de todo o curso. Contudo, o sindicato argumenta que a proposta amplia o problema: “a Reitoria propõe uma intensificação ainda maior das atividades docentes, não apenas nos estágios, mas também nas aulas práticas, monografias e residências”.
Para o sindicato, a alteração proposta tem efeitos institucionais nefastos, não se limitando à sobrecarga individual. A redução no número de docentes considerados no cálculo do IAC impactaria diretamente o planejamento dos cursos e a qualidade do ensino, além de dificultar afastamentos para qualificação e pesquisa.
“É preciso reagir”, convoca o informativo. A entidade conclui que a desvalorização do trabalho docente atinge toda a universidade, fragilizando o ensino, a pesquisa e a extensão, e violando princípios básicos de valorização profissional e condições adequadas de trabalho.