O Comando Sindical Docente (CSD) divulgou um documento no qual denuncia um processo contínuo de desmonte da carreira do magistério e das licenciaturas no Paraná. O texto critica diretamente o governo Ratinho Jr., afirmando que as políticas adotadas nos últimos anos resultaram no enfraquecimento da formação docente, na precarização do trabalho nas escolas e universidades e em uma profunda crise no ensino público paranaense.
A manifestação surge após a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) anunciar o Seminário Estadual de Coordenações de Cursos de Graduação do Paraná, com a proposta de debater a excelência do ensino superior. Para o CSD, o evento funciona como uma “cortina de fumaça” que evita discutir as causas estruturais da crise das licenciaturas — especialmente o arrocho salarial, o sucateamento das universidades estaduais e a perda de atratividade da profissão.
De acordo com o documento, o magistério paranaense acumula quase 50% de perda salarial ao longo dos mandatos de Ratinho Jr., o que teria provocado desestímulo, adoecimento e evasão profissional. “Como atrair novos professores se os atuais estão exaustos, desmotivados e sem perspectiva de valorização?”, questiona o texto.
Para o Comando, a crise das licenciaturas não é conjuntural, mas consequência direta de decisões políticas: a falta de reajustes compatíveis com a inflação, o aumento de responsabilidades sem contrapartida salarial e a ausência de investimentos em carreira docente.
O documento também critica o modelo de gestão adotado na educação estadual, classificando-o como um projeto de “mercantilização e desresponsabilização do Estado”. Segundo o CSD:
o Paraná possui o maior percentual do país de professores com contratação temporária;
escolas vêm passando por processos de militarização e terceirização de atividades administrativas;
militares da reserva atuam como monitores em escolas cívico-militares recebendo cerca de R$ 5.500 mensais, valor superior ao piso nacional do magistério (R$ 4.867,77).
O Comando avalia que tais medidas desviam recursos públicos da educação, beneficiando militares e empresas privadas, ao invés de fortalecer a carreira docente e a estrutura escolar.
O CSD afirma que as universidades estaduais paranaenses enfrentam cortes de orçamento, redução de autonomia e imposição de programas e metas externas — citando como exemplos o Meta-4, encomendas governamentais e disputas por emendas parlamentares. Segundo a entidade, a Seti promove seminários acadêmicos sem dialogar com os problemas reais enfrentados por docentes: salários defasados, acúmulo de trabalho, falta de concursos públicos, precarização da formação e infraestrutura limitada.
O Comando descreve um cenário que envolve:
| Problema identificado | Consequência direta |
|---|---|
| Desvalorização salarial | Menor interesse pela carreira docente |
| Precarização e temporários | Instabilidade e rotatividade nas escolas |
| Sucateamento universitário | Menor qualidade na formação inicial |
| Falta de políticas estruturantes | Evasão em cursos de licenciatura |
Para o CSD, “debater excelência sem enfrentar o arrocho e a precarização é esvaziar o debate”.
O documento lista ações consideradas urgentes para reverter o cenário atual:
recomposição salarial imediata;
realização de concursos públicos e fim da terceirização de profissionais da educação;
investimentos robustos e contínuos nas universidades estaduais;
melhoria das condições de trabalho e carreira na educação básica;
participação democrática de docentes, estudantes e sindicatos na formulação das políticas educacionais.
Com o avanço da crise das licenciaturas e a proximidade do debate eleitoral estadual, o CSD deve intensificar mobilizações e ações públicas. A entidade afirma que continuará cobrando medidas concretas de valorização profissional e alerta que não aceitará “soluções midiáticas ou intervenções superficiais”. Para o Comando, o desafio central permanece claro: sem professor valorizado, não há como reconstruir a educação pública do Paraná.